Dreams are renewable. No matter what our age or condition, there are still untapped possibilities within us and new beauty waiting to be born.

-Dale Turner-

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quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Aimez-vous

  
Como faz tempo que não venho até aqui, decidi recompensá-los com mais uma loucura minha. A idéia é a seguinte: Convidei dois dos meus amigos para redigir um texto, só que apenas eu sei quem são, nem eles mesmos sabem. as falas foram escritas às escuras. Vamos se alguém descobre quem são.Alguns dos que me visitam costumam lê-los bastante. =]

always betwee the lines... betwee the lines...


   O verão estava anormalmente quente e parecia ainda mais sufocante dentro das paredes daquele quarto. A menina olhava pro teto procurando algo que pudesse fazer numa terça a noite pelas ruas de Belo Horizonte. Não tinha vontade de ligar pra ninguém, queria estar sozinha, mas não com o silêncio da própria casa. Levantou, arrumou os cabelos, apanhou as chaves e ganhou a rua.
   Ela não sabia muito bem pra onde ir, mas seus pés a levaram instintivamente a um bar que a muito não visitava. Lá estavam guardadas muitas memórias, boas e ruins, que queria evitar. Sentou-se numa mesa que a permitia olhar a rua. O garçom veio depressa com um sorriso no rosto.
   - Minha querida, quanto tempo! Por onde andou? Nos deixando de lando, hein?!
  - Muito tempo mesmo. E que por vezes agente tem que se fechar um pouco pra colocar os pensamentos em ordem.
    - É verdade... Mas está aqui hoje pra se divertir, certo?
    - Sim, a intenção hojé é desligar do mundo e seus percausos. 
    - O que vai beber, meu bem? 
    - Traga o seu melhor vinho, por favor! - E o garçom saiu apressado.
  Esperando a bebida, ela começou a correr os olhos pelas mesas. Eram muitos rostos novos, mas ainda tinha aqueles antigos. Quando os via, logo olhava para o outro lado, não queria que ninguém fosse encomodá-la.
  Foi então que ela a viu e foi como se um gancho puxasse seu estomago para baixo. Os cabelos mais curtos, um pouco mais magra, mas com os mesmos olhos negros brincalhoes de sempre. Não dmorou pra que eles encontrassem os dela. O Garçom trouxe a bebida, as mãos gelaram e o coração acelerava cada vez mais a medida em que ela se aproximava de sua mesa. Ela não sabia o que dizer quando ela chegasse, então preferiu encher a boca com um gole de vinho e deixá-la falar primeiro.
   - Pensei que fosse miragem... Tive que vir aqui e conferir se era você mesma.- Disse entre risos.
   - Então, conseguiu matar a curiosidade? Sou eu sim.
  Ela sorriu mais uma vez e se sentou.
   - Conta, o que te trouxe devolta depois de tanto tempo? Pensei que não te veria mais...
   - É que achei que era hora de tocar a vida, conhecer gente nova, me divertir um pouco.
   - Mas pra quem quer conhecer gente nova, não é tão contraditório estar justo aqui, nesta mesa?
  - Verdade, mas acabei me acostumando com a vista daqui, consigo observar todo mundo.- Disse procurando uma evasiva.
  - Ou talvez seus olhos não tenham se habituado às outras vistas. Sabe como é... “O bom filho a casa torna”, não é assim que dizem? - Disse sem saber que nem outros vistas ela tentou olhar.
  - Pode ser, na verdade me sinto bem aqui neste lugar, em especial nessa mesa. Foram ótimos momentos vividos aqui.- Disse e logo se arrependeu com medo de ter se entregado um pouco.
  - Pensei por um momento que fosse negar o inegável, meu bem.
  - Meu bem? Hoje em dia soa estranho você me chamando assim. Nunca negaria algo que foi tão bom...
  - Nunca negaria? Não foi o que pareceu quando você saiu por aí com suas dúvidas.
  - Não negaria um dos momentos em que fui mais feliz. E se saí por ai com dúvidas que pra mim eram certezas, foi porque você  permitiu que elas pousassem dentro de mim.
  - São dúvidas que passaram por mim assim que te vi, mas não precisei fugir em busca de respostas. Espero que ao menos tenha encontrado alguma.
  - Cada um reage da forma que lhe causa menos dor, certo? Ainda tenho procurado, talvez por isso esteja sentada nessa mesa.
  - Então faça como eu escolho fazer, se sua resposta estiver diante de você, apenas diga que sim, porque mesmo com todo o rancor, aqui na sua frente, ainda permaneço a mesma.
 Ela abaixo a cabeça, fechou os olhos e respirou bem fundo antes de responder.
  - Na verdade a resposta sempre esteve na minha frente e eu teimei em não ver. Então... não solta mais a minha mão?
 A outra sorriu enquanto os olhos marejavam
  - Durante todos esses meses vim a este bar esperando este pedido.
 Se levantou, segurou com carinho a mão da outra e a beijou nos lábios com carinho.

sábado, 11 de dezembro de 2010

Nous aurons pour nous l'éternité



Bom gosto da flor.

   Era o dezembro mais estranho que ela já tinha visto. Noites chuvosas, dias quentes. A exceção daquele. O sol quis aparecer, teimoso em meio a tantas nuvens. A menina de cabelos cacheados estava deitada no sofá da sala quando resolveu que hoje não ficaria em casa remoendo lembranças antigas. Levantou, calçou seus tênis, procurou os óculos escuros, apanhou a coleira do cachorro e saiu pra um pequeno passeio. Caminhou até a praça próxima de casa e deixou que o animal, que hoje era sua única e mais fiel companhia, corresse um pouco. Ela se sentou embaixo de uma arvore e começou a sentir o vento morno que corria. Olhando aquele cenário, sentindo aquele ar e aquelas cores, ela percebeu que todas as lembranças, que ela havia tentado deixar trancadas dentro do apartamento, sabiam o caminho daquele lugar.
  Com o final da tarde, veio a chuva fina típica daquela estação. Ela ficaria ali se refrescando por muito tempo se não tivesse se lembrado que havia deixado a janela da sala aberta. Chamou o cão e refez o caminho até em casa. Aquela chuva tinha feito bem aos dois, voltavam para casas um tanto mais felizes, ou menos tristes.
  Quando a porta do elevador abriu, o cachorro correu e pulou alegre no colo de uma menina que estava sentada no chão e encostada na porta de entrada da sua casa.
 - Oi, Amorzinho! Você não me esqueceu, não é? IIh você ta todo molhado... – Ela parou de falar e olhou pra cima, para os olhos surpresos da outra. Ela estava parada, inerte e molhando todo o corredor. Sem saber o que pensar, ela estudava cada pedaço do corpo que um dia conheceu. Os cabelos escuros mais curtos, não brilhavam como antes. Ela estava sem maquiagem e mais magra. Mas o que mais incomodou foram os olhos, eles estavam tristes... Muito tristes.
  Ela caminhou até a porta devagar, abriu e ficou esperando até que a outra se levantasse e entrasse. Quando ela passou pela porta pode ver seus olhos brilharem. Ela trancou a porta e passou direto até o banheiro. Apanhou duas toalhas secas. Colocou uma no chão, onde o cachorro se deitou, e começou a secar os cabelos com a outra devagar, numa tentativa de se dar tempo pra pensar no que fazer.  Trocou a roupa molhada, sentou na cama por alguns segundos, fechou os olhos e respirou bem fundo, tomou toda a coragem necessária e voltou pra sala. Sentou no sofá e ficou observando a outra que caminhava entre os móveis, tocando um e outro objeto com carinho. Olhou pra trás sorriu e disse:
  - Senti saudade de tudo isso sabia? Está tudo nos lugares onde eu me recordo, menos as nossas fotos. – As últimas palavras foram ditas em notas um pouco mais tristes.
 - Você realmente pensou que as encontraria no lugar?
- Na verdade eu esperei encontrar outras... – ela se sentou a uma distância razoável.
- Talvez fosse melhor, mesmo.
- Isso eu não sei, na verdade.
  Houve alguns segundos de silêncio, em que ela sentiu raiva. Questionava como as pessoas conseguiam fazer isso. Ir embora, voltar tempos depois como se nada tivesse acontecido. Parecia um tanto cruel. Ela havia sofrido muito com tudo isso, ainda doía. Toda a mágica de antes tinha virado tragédia e ela sabia que a culpa não tinha sido dela. Era a outra quem tinha perdido e ela teve tempo pra pensar, ir se preparando pra se caso esse dia viesse a acontecer. Mas de repente ela percebeu que de nada havia valido. Ela estava lá desarmada, tinha esquecido tudo o que tinha pra dizer.
- Por que... O que você veio fazer aqui? As coisas que você deixou estão guardadas, pensei que talvez você fosse querer buscar, mas eu poderia ter mandado pelo correio...
- Não. Não foi por elas que eu voltei. – Olhou fundo nos olhos da outra, esticou a mão tentando alcançar a dela, mas ela se levantou, deu um passo pra trás e cruzou os braços enquanto acusava a outra com os olhos.
 - Será que tem mais alguma coisa pra você? Achei que você tivesse levado tudo o que realmente precisava quando passou por aquela porta há uns meses atrás.
- Tenta entender, por favor.- Ela tinha fechado os olhos - Eu cometi um erro, mas eu fui atrás de um sonho. Eu reconheci o meu erro quando entrei naquele ônibus e quis voltar, mas ai já era tarde. Eu resolvi apostar e perdi.
- Pelo o que sei, você tinha casa no Rio, estava bem empregada.- A outra olhou surpresa e ela corou um pouco. Não queria que ela pensasse que ela esteve preocupada demais com o bem estar dela. – Pois é, as pessoas se preocuparam esses meses todos em me contar sobre a sua vida maravilhosa.- E deu de ombros.
- Mas eu perdi, perdi a nossa casa, perdi o nosso cachorro, perdi o seu amor, perdi você...
- Foi porque você quis assim! – Disse entre lágrimas num tom bem mais alto. – Eu não te mandei sair. Você deve achar justo voltar agora que eu resolvi apagar as suas memórias que me atormentaram todos os dias. Você é bem grandinha pra saber o quanto dói aqui, o quanto eu lutei do seu lado por tudo isso aqui e mesmo assim foi embora sem ter nem a decência de me olhar nos olhos, deixando um bilhete de desculpas?
  A outra abaixou a cabeça nos joelhos e começou a chorar, um choro sentindo daqueles que agente sabe que esteve guardado muito, muito tempo. A raiva se dissipou vendo aquela cena. Tinha tempo que ela não a via chorando, mas por algum motivo, agora doía muito mais.
- Desculpa, eu não tinha direito de te fazer reviver tudo isso. Tem muitas coisas que eu nunca te disse... Depois de tudo isso, eu ainda sinto sua falta. Eu nunca devia ter ido embora amando você como eu amava e ainda amo. Só não tenha raiva de mim... – Não pode mais falar, a voz foi embargada pelo choro. Ela se levantou e tomou o caminho da porta.
Vendo-a partir, teve pouco tempo pra pensar. Poucos segundo pra muitos sentimentos distintos: Confusão, descontrole, perda... Deu dois passos rápidos e segurou-a num abraço.
- Não! Eu não suportaria ver você indo outra vez. Eu ainda sinto raiva, mas meus outros sentimentos me ensinaram que amor de verdade não se impede de sentir isso também. Por favor, fica. Fica e não se perde de mim outra vez. Eu... Eu te amo!
  Ela se virou e segurou o rosto da mulher que amava com as duas mãos e a beijou. Um beijo com gosto de saudade, com gosto de retorno, com gosto da certeza de que o que não tem que acabar simplesmente não acaba.