É estranho pensar em corpos próximos e olhos que não se encontram. Olhos que fogem procurando o sol, mas lá fora o céu está tão cinza... Ele parece pronto pra rachar e derramar chuva sobre os abismos que insistem em habitar meu peito. Ou será que sou eu quem os põe aqui dentro? Parece perda de tempo. Às vezes é melhor puxar as cortinas e não olhar pra fora, mas escondidos os olhos me resta o coração cansado, coração pesado... Resta a saudade de tudo que se pode querer pra si embora não se tenha força ou fé suficiente pra sonhar. Resta a pior decepção, aquela que se destina aos seus próprios olhos vistos num espelho feito de tudo em que nunca quis me tornar. Será natureza? E se for, o que é que transforma o homem? São questões pra responder quando eu crescer.
Alexandre Ito Primo - Francisco (MIlton Nascimento)
Há 2 semanas

