Ela se sentou no sofá da sala, colocou as pernas pra cima e segurou um copo de chocolate com as duas mãos esperando que ele as aquecesse. Olhando pela janela, via os tons pálidos de um outono mais frio do que o normal, mas ainda assim incrivelmente lindo. Talvez ele estivesse enfeitado pelos olhos dela.
Na TV só o normal de domingo à noite, então colocou música pra ouvir. Era uma daquelas canções despretensiosas que chegam e te pegam de assalto, ainda que você já as conheça. Cantarolou um ou dois versos e sorriu imersa em pensamentos resgatados de um canto quente do próprio coração.
Ela foi se ajeitando embaixo de um cobertor e fechou os olhos. Era incrível, podia até sentir o cheiro doce de um perfume que conhecia muito bem.
O celular tocou num canto e ela correu até ele. Era uma mensagem que dizia: “Já falei hoje que eu te amo?”. Uma frase curta que teve o poder de aquecer seu corpo todo, preenchendo-o com a mais doce sensação de felicidade. Algumas palavras que trouxeram a primavera até aquela pequena sala e fizeram com que se sentisse sob o céu de Paris. E ela respondeu: “Ainda não...”.
Tornou a se jogou no sofá e ficou lendo e relendo, sentindo aquela sensação gostosa na barriga, que lembra mil borboletinhas batendo assas. O dia tinha mudado, o sabor das coisas muda mesmo quando a gente ama. E foi pensando assim que caiu no sono, ali mesmo.
Três batidas na porta da frente foram suficientes para que despertasse do sono leve. Levantou cambaleando e foi ver quem era. Quando a porta se abriu a primavera se tornou verão quente e a luz do sol vinha do sorriso da outra garota de pé na porta. A mão dela veio até seu rosto e os dedos estavam frios, mas ela não se importou. Os corpos se encontraram num abraço carregado de significado mudo e eles ficavam bem assim, amorosamente encaixados. E os corações que pareciam esperar tanto por aquele momento podiam bater compassados agora.
Esse silêncio breve foi rompido por um sussurro mágico: ‘Eu vim pra te dizer o quanto é importante você saber que eu te amo”.

